Minha experiência com a Educação da Laura em tempos de pandemia
O dia 19 de fevereiro de 2021 foi mais um dia marcante na vida da Laura e na minha, como mãe: fizemos o primeiro dever de casa do Jardim 1! A tarefa era utilizar a música do patinho que resolveu mudar de cor para ensinar as cores para a criança. A professora mandou o vídeo no grupo da turma (que eu só descobri na véspera que existia desde o início da pandemia, quando Laura ainda estava no maternal). Quando cheguei do trabalho, já fui logo pegando um caderno de desenho, lápis, caneta e lápis de cor; pintei quatro patinhos com a ajuda de um tutorial no YouTube; pintei só a asinha, cada um de uma cor e deixei o restante para a Laura pintar e já ir aprendendo as cores amarelo, azul, vermelho e verde.
Coloquei as folhas desenhadas sobre a mesa e ela logo se interessou em colorir. Daí o Joni e eu fomos interagindo com ela, perguntando os nomes das cores e o nome do bicho. Naquele dia, ela só sabia falar azul e apontava as demais cores, mas sem falar. Agora, menos de um mês depois, ela já pronuncia “eRRRde” (carregando bem no R e até fazendo biquinho), “amel” (amarelo) e “melho” (vermelho). Fui filmando tudo para enviar depois à professora. Também fiz um último vídeo com todos os patinhos já completamente coloridos sobre a mesa e coloquei a música para tocar. Eu ia perguntando para Laura as cores e ela apontava o patinho correto. A professora nos parabenizou pela dedicação. Foi bem emocionante e empolgante pra mim ajudar a Laura a se desenvolver através de uma atividade lúdica! Fiquei muito orgulhosa da minha filha, que recentemente completou 2 anos.
No dia seguinte, nós fizemos outa atividade, que era assistir o vídeo com a contação de estória cantada que a professora enviou sobre os sapos, que ensina as crianças contarem de 1 a 5. A Laura também já sabe um pouco. Às vezes ela consegue contar de 1 a 6 corretamente.
Ano passado, quando tinha pouco mais de 1 ano, a Laura começou a frequentar a creche, no Maternal, só que ela teve duas viroses e faltou alguns dias. Daí logo veio a pandemia e ela nunca mais voltou para lá. Ela frequentou a creche por cerca de um mês apenas e já foi o suficiente para eu perceber uma boa evolução no desenvolvimento dela, tanto motor, quanto cognitivo e social. Na época ela tinha acabado de aprender a andar e passou a andar normalmente; ela mordia os coleguinhas no início e depois passou a conviver e interagir.
Com a pandemia, Laura sofreu muito no início por não sair de casa. Ela ficava no portão de casa chorando, olhando e apontando pra rua. Aquilo cortava meu coração, mas não tive dúvidas de que seguiria o isolamento social até o máximo que pudesse e até hoje Laura não voltou a frequentar a creche. Quando voltei a trabalhar, em junho do ano passado, ela começou a ficar com a cuidadora dela, Lúcia, que mora perto da minha casa e é uma pessoa de confiança.
Laura conseguiu se desenvolver com a ajuda das poucas pessoas com quem convive. Eu e o Joni sempre a estimulamos muito (eu principalmente) lendo livros para ela, desenhando com ela, brincando com brinquedos de encaixar, empilhar ou parear. Mas quando descobri o grupo de atividades da creche e passei a fazer as atividades propostas pelas professoras, percebi que, na verdade, Laura poderia estar bem mais desenvolvida se estivéssemos desde o início no grupo ou se não tivesse a pandemia.
Mas tudo bem. Temos que conviver com a realidade. E esta não está nada propícia para enviar crianças para a creche ou a escolinha, uma vez que estamos no pior momento da pandemia. Não vou entrar na discussão político-econômica que a crise sanitária impõe ao mundo. Quero me ater apenas à educação das crianças. Eu nunca imaginei que seria possível fazer educação infantil à distância. Confesso que me surpreendi positivamente. Claro que não é a mesma coisa das crianças interagirem presencialmente entre elas e as professoras, mas é possível ajudar a criança a se desenvolver em casa. Eu parabenizo e admiro as profissionais da Educação (em especial do Município de Cuiabá, já que Laura estuda em creche municipal) pela criatividade e pela dedicação!
Além de um momento de aprendizado, par mim a hora da tarefa da Laura se tornou um momento de conexão com minha filha. Ela ainda mama no peito e, conversando com meu psicólogo, vimos nessa atividade educacional uma oportunidade de ajudar o processo de desmame, pois a Laura pode brincar e fazer sua tarefa ao invés de só querer ficar grudada no peito.
Eu gostaria de saber como outras mães e pais estão vivendo este momento de pandemia com seus filhos, como tem administrado a educação deles. Imagino que, assim como eu estava, muitos ainda não contam com um apoio pedagógico da escola, por talvez seus filhos nem estarem matriculados em nenhum estabelecimento. Imagino que outros, mesmo tendo filhos matriculados em excelentes escolas, sintam que a educação está aquém do esperado. Enfim, contem nos comentários como tem sido essa experiência para vocês.
Por aqui, eu sonho com o dia em que a pandemia vai acabar e poderei levar minha pequenina para a creche, me despedir (mesmo que sinta aquele mesmo aperto no coração que senti no primeiro dia de aula dela) e, ao final do dia, ir buscá-la e ver que ela tem seus amiguinhos e passou um dia divertido e em meio a esse universo que marca a vida de toda criança.


